Um cômodo escuro e mil pensamentos

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“Não conseguia suportar as pessoas ao meu redor, tanta falsidade reunida em um lugar só. Comecei a me sentir claustrofóbica e antes que alguém notasse a minha ausência, não que eu fosse importante o suficiente para isso, fugi para um cômodo escuro, descobri mais tarde que se tratava de uma dispensa, estava explicado porque ela estava vazia. Através da parede fina eu ainda podia ouvir a música tocando alto, as pessoas dando risadas exageradas e sendo excessivamente barulhentas. Elas estavam sendo felizes, do jeito delas.

Mas por algum motivo surreal, eu estava sendo o oposto naquela noite. Me sentia vulnerável, sozinha, triste e deprimida. E não é como se eu odiasse festas, muito pelo contrário. Eu amava música e dançar até os pés começarem a doer. Rir com os amigos sem se preocupar com o amanhã. Eu era bastante extrovertida e social. Mas naquela noite…não sei realmente o que estava errado comigo, mas tudo parecia superficial, as pessoas, a música e até meus pais e amigos próximos. Talvez eu precisava de um tempo para mim, avaliar o que estava errado. Se é que algo estava errado comigo, talvez não fosse eu, talvez fosse eles, talvez fosse o mundo em geral e só agora eu estivesse acordando para a realidade.

Será que as pessoas chegaram num ponto onde elas apenas viviam? Se o mundo delas continuasse perfeito, que o resto do mundo se explodisse? Pensei no que elas fariam se eu entrasse no salão naquele exato momento, parasse a música e falasse para todos “Tem algo errado comigo”. Quantas delas se importariam realmente? Talvez algumas demonstrasse alguma espécie de preocupação, mas assim que virassem as costas, iriam esquecer e voltar a se preocupar apenas com a vida delas. Outras poderiam achar que eu estava estragando a festa para chamar atenção. Outros diriam, “É a idade, é apenas uma fase”.

A realidade é, as pessoas só se preocupam com elas. Se o mundo que elas vivem está bom e nada está sendo afetado, porque gastar o tempo delas, levando em consideração outras pessoas? Porque lutar por algo, se para elas está bom e confortável? Não sei porque motivo acabei naquele cômodo escuro, era inesperado para mim, mas eu estava tendo uma crise de existência, eu, que sempre tive a vida que sempre quis. Estava acordando, saindo da minha zona de conforto e vendo o mundo pela primeira vez, ou melhor, estava vendo as pessoas pelo que elas realmente são, ou pelo menos parte delas, não generalizando. Comecei a sentir algo crescendo dentro de mim, queria fazer algo, queria ajudar o mundo, queriam que as pessoas o vissem da mesma forma que eu, queria que elas saíssem de dentro da bolha delas e que me ajudassem a fazer algo e a lutar pelo nosso mundo e nossos direitos.”

O que vocês acharam do texto? Vocês já tiveram uma crise de existência e já tentaram melhorar a maneira como vocês agem e falam? De se preocupar mais com as pessoas ao nosso redor? Me deixem nos comentários!

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25 comentários em “Um cômodo escuro e mil pensamentos

  1. Posso dizer que meu 2015 foi um ano em que eu passei por uma crise de existência, mas me ajudou muito, como amadureci. Hoje poucos meses depois dessa fase eu posso dizer que melhorei e me tornei uma pessoa muito melhor. Adorei seu texto, são pessoas assim com esse olhar de humildade e solidariedade ao próximo que o mundo precisa.
    Beijos !!

    http://www.morenadementira.blogspot.com

  2. oi, oi.

    acredito que pelo menos uma vez na vida todos nós iremos passar por isso e fazer diversos questionamentos à respeito de tudo. na faculdade, a gente chama isso de filosofar. sempre lembro do meu professor dizendo que filosofar nada mais é do que lançar questionamentos ao mundo.

    o bom é que logo essa fase passa e a gente volta ao normal. as respostas? elas vêm com o tempo. acredite.

    bjs!

  3. Acho que sempre tenho uma, hahaha. Sempre fui muito humana no sentindo de se preocupar muito com os outros. E apesar de eu ser bastante introvertida, eu sempre quero fazer algo pelo mundo. Me incomoda bastante olhar para os lados e ver que quase ninguém se importa. Infelizmente vivemos em um mundo que se as pessoas estão bem e felizes, elas fecham os olhos para as necessidades alheias. Gostei muito do texto e, sem dúvida, me lembrou uma fase da minha vida (atual talvez, hahaha). Beijoss

    http://apaixonadaporfinaisfelizes.blogspot.com.br/

  4. Não temos noção de como algumas palavras afetam outras pessoas mesmo.
    Ótimo texto para refletir.

    tenha uma boa noite, beijos!

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